segunda-feira, 6 de maio de 2019

"O Príncipe das Trevas" de Mark Lawrence


Uma magia que une um príncipe inútil a um guerreiro destemido



O Príncipe das Trevas (Topseller, 2018) de Mark Lawrence, é o primeiro livro na Trilogia da Guerra da Rainha Vermelha.

Uma história repleta de magia, num mundo obscuro, onde todos jogam para obter algo. 

Uma ligação inesperada, uma profecia, e um item pelo qual muitos estão dispostos a sacrificar-se.

Sou um mentiroso, um trapaceiro e um cobarde, mas nunca, nunca deixarei de ser leal a um amigo. A não ser, claro, que essa lealdade exija honestidade, jogo limpo ou coragem.

Seguindo o estilo dos livros anteriores de Lawrence, porém com um tom mais leve, um enredo apelativo, um passo rápido e intenso; um mundo com um mapa semelhante à Europa, e várias referências aos deuses nórdicos, este livro pode ser lido à parte, pois não sendo necessário ler a anterior trilogia para se situar nesta nova. 

A história tem lugar no Broken Empire, e apresenta ao leitor, o príncipe Jalan Kendeth, neto da velha rainha; um ser imaturo, promíscuo e irresponsável, que desconhece os motivos pelos quais a avó, naquele dia específico, o força a ouvir os relatos de escravos.

O que conduz a Snorri, um guerreiro nórdico, de porte invejável, que partilha os seus relatos sobre o Rei Morte e os seus soldados.  

Por obra de uma profecia, tornam-se em marionetas da bruxa do reino, unidos por uma magia, que nenhum quer, e da qual ambos vão tentar libertar-se.

O elo que ambos tanto buscam quebrar, irá tornar-se cada vez mais próximo, transformando-se numa amizade fora do comum, que vai evoluindo com o passar da história, com os perigos que os atacam a cada esquina, e com a magia no seu interior, tão poderosa que ameaça destruí-los.

É um longo caminho até ao Norte, onde se vêm rodeados de mortos e não nascidos prontos para os matar, e travam "amizades" com outros Vikings, mercenários, circenses, bruxas e um elefante chamado Nelly.

Ao longo de várias peripécias, enganos e lutas, os seus caminhos vão, eventualmente, cruzar-se com a história do Príncipe dos Espinhos, Jorg Ancrath.



(...) a Rainha Vermelha praticava feitiçarias proibidas na sua torre mais alta, e como era do conhecimento comum que a Irmã Silenciosa era uma bruxa nefasta cuja mão estava por detrás de grande parte dos males do império, sendo dominada pela Rainha Vermelha ou dominando-a a ela. Mas, até aquele nórdico abrutalhado olhar para ela, nunca tinha encontrado outra pessoa que visse realmente a mulher cega de um olho ao lado da minha avó.

Jal é um príncipe, cobarde, mulherengo, cujos interesses consistem em brincar, beber, e não leve a vida a sério, o perfeito anti-herói; em oposição a Snorri, a verdadeira cara que simboliza valentia, um guerreiro sem limites no que diz respeito à vida e às batalhas que trava.

Após um atentado mágico contra a realeza da Marcha Vermelha, na ópera, Jal escapa com vida, utilizando a sua melhor arma, fugir dos conflitos. 

Com magia no seu encalço, ele está tão focado em fugir dos ataques, que não nota em quem embateu, Snorri Snagason.

Duas fissuras, uma de luz e outra de escuridão, unem-nos agora pela magia. Jal quer eliminar essa ligação entre ambos o mais rapidamente possível, ao passo que Snorri está mais focado em salvar a sua família das garras de Sven Remo-Partido e dos não nascidos. Como tal, rumam ao Norte.

É após várias batalhas, que entendem que nada foi por acaso, e que são ambos peças num grande e arriscado jogo.

- O Rei Morto e esta Irmã Silenciosa são mãos escondidas. Jogam um jogo pelo império, eles e outros, manipulando reis e senhores no seu tabuleiro. Quem poderá saber qual será o seu verdadeiro intuito? Talvez refazer o império e sentar no trono um imperador preso com fios para que consigam fazê-lo dançar. Ou talvez queiram varrer o tabuleiro e recomeçar o jogo do nada.

Qual será o verdadeiro motivo que guia as intenções da Irmã Silenciosa e do Rei Morto?

Conseguirão eles o seu objetivo? Quem ganhará esta guerra? E qual será o destino de Jal e Snorri?

-Sabiam que há uma porta para a morte? - A Rainha Vermelha não ergueu a voz e, apesar disso, as palavras sobrepuseram-se aos murmúrios dos príncipes. - Uma porta real. Que permite que a toquemos com a mão. E, para lá dela, o domínio da morte.

O Príncipe das Trevas, de Mark Lawrence, é um livro mágico, com um enredo interessante, intrigante, misterioso e emocionante. Um bom ponto de partida para a nova trilogia.

Sem comentários:

Enviar um comentário

ALL SOULS CON 2019 | Antevisão

A All Souls Con , baseada na trilogia All Souls da autora americana Deborah Harkness, está de de regresso. A organização...