A loucura dá lugar à maldade
Eu sei o que estão a pensar.Devia ter saltado lá para dentro, para a salvar.Mas vocês não sabem como eu sofri.Por isso, deixei-a morrer e roubei a sua vida.Roubei-lhe as roupas. Roubei-lhe o filho. Roubei-lhe o maldito marido. Roubei-lhe os seus milhões e a sua villa. De qualquer forma, devia ser minha. (...)Foi melhor que ganhar a lotaria.Todos os meus sonhos mais desvairados tornados realidade.
No segundo livro da trilogia da autora Chloé Esposito, Má (Bertrand, 2019), as loucuras de Alvie Knightley somam e seguem.
A falhada Alvina Knightley vê a sua vida alterar-se, quando depois dos eventos em Louca, se torna subitamente numa nova pessoa, com um nível de vida completamente diferente.
Mas se em Louca, a persona interior de Alvie estava apenas a despertar do seu estado letárgico, em Má, Alvie passa para um nível de loucura superiormente diverso, e muito mais perigoso. Porém, o desejo de roubar a vida de Beth, sua irmã gémea, poderá ter sido mais do que ela esperava obter...
Chloé Esposito, retoma a história de Alvie, e das suas peripécias alucinantes, exatamente do ponto onde o primeiro livro termina. Porém, este livro pode ser lido à parte, sem qualquer ligação ao anterior, dado que no prólogo, Alvie faz um resumo dos eventos ocorridos durante a sua estadia na villa siciliana da irmã, num dos seus inúmeros monólogos interiores.
Ao recorrer a momentos do passado, a autora tenta revelar ao leitor mais situações que demonstram a relação conturbada que Alvie tinha com Beth e mãe de ambas, sendo esta sempre turbulenta e tensa.
Alvie ainda é aquela personagem amada por uns e odiada por outros, sem papas na língua, nem tabus, ou valores de algum tipo.
A anti-heroina, Alvie, continua no seu ciclo de loucuras, tal como um comboio de alta velocidade a descarrilar, passando de uma mulher fracassada e ambiciosa a uma assassina sem escúpulos ou consciência, altamente manipuladora. Mas isso não a deixou isenta de ser, ela própria, manipulada, por isso quando o homem que ela pensava ser "o tal", a trai, podemos ter certeza de que o virá a seguir será um lio destrambelhado cheio de profanidades e ações descontroladas.
Não me dá prazer nenhum dizer-vos que Nino foi um erro. Quando chegámos ao Ritz, ele roubou o carro. E roubou a maldita mala.Sei que sou capaz de não voltar a ver o Nino. Mas, se o vir, prometo-vos que vai ser um pandemónio.
Alvina, acorda no Ritz, de ressaca e sozinha. Tudo o que tinha obtido através das suas ações criminosas na Sicília, bem como as suas ilusões românticas com um mafioso sexy, esfumou-se no ar em menos de um piscar de olhos.
Enraivecida pela traição, jura vingança e fará de tudo para obtê-la.
Notícias do rasto de cadáveres, que foram deixando pelo caminho, chegam à televisão; o stress aumenta, o dinheiro escasseia, e se Alvie pensava que os seus monólogos eram já de si interessantes, as coisas vão ficar cada vez ainda mais estranhas.
CARÍSSIMA ELISABETTA, SE ME CONSEGUIRES APANHAR, PODEREMOS TRABALHAR JUNTOS.
Esta mensagem, jocosa e provocadora, desencadeia um vertiginoso jogo do gato e do rato até Roma, deixando um rastro de destruição à sua passagem, como só o furacão Alvina sabe provocar.
Cabe agora a Alvina decidir se será a nemesis do seu ex-amante ou aceitará ser sua parceira, caso o capture...
Com um final apropriado à montanha-russa de sensações presente em ambos os livros, o leitor ficará, no mínimo, curioso para saber como terminará toda esta saga dos infernos, tendo que aguardar a seguinte publicação da autora.
Quem será o próximo alvo de Alvina? Que surpresas estão reservadas para o terceiro e último livro desta trilogia inusual?
Má, de Chloé Esposito é a mais recente aventura estrambólica, sem filtros nem barreiras, da anti-heroina Alvina Knightley, onde esta conta com a presença inesperada, e nada desejada, da mãe e de outros intervenientes, com antecedentes complicados, que a ajudarão na árdua tarefa de encontrar Nino e saciar a sua sede de vingança.

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